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Se você se preocupa em saber quais histórias são verdadeiras e quais são ficção, lembre-se de que a história muda conforme aquele que a conta, pois todas elas sempre carregam algo de verdadeiro e muito da fantasia do escritor. Afinal, neste mundo das redes sociais, mesmo quando pretendemos estar contando a verdade sobre nós, redigimos uma ficção.

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Quem Deve Arcar com os Custos de um sonho?

Você provavelmente já sonhou em um dia viajar ao espaço sideral. Quem não? Contudo, este é um sonho que poucas vezes e tornou realidade desde que o homem pisou na Lua em 1969. Naquela época, animados pela rápida evolução dos foguetes espaciais, o público acreditava que a vida no espaço era o próximo passo da história. Cientistas e escritores previam que a fundação de colônias na Lua se tornaria realidade ainda na década de 1980, e que até o ano 2000 o turismo espacial estaria disponível para todos a preços acessíveis. Porém poucas previsões feitas ao longo da história se mostraram tão distantes da realidade.

 

Ilustração criada por Bing Image Creator

Quando falo de planos sobre o futuro da exploração do espaço, não falo de previsões feitas por leigos. Werner Von Braun, o principal engenheiro de foguetes da Nasa, elaborou na década de 1950 um projeto detalhado de uma estação espacial em formato de anel que seria construída já em 1963. O exército e a aeronáutica americana desenvolveram nos anos 1960 os Projetos Horizon e Lunex, para a construir na Lua de uma base militar com 12 soldados, e uma colônia subterrânea com 21 moradores. Krafft Ericke, um engenheiro aeroespacial alemão e um dos maiores entusiastas da colonização do espaço, previu nesta mesma década a criação de hotéis orbitais movidos a energia nuclear para o final do século XX. 

Se você nasceu década de 1960, certamente se lembra do desenho ‘Os Jetsons’ criado pelos animadores americanos Hanna-Barbera que mostrava o dia a dia de famílias comuns que viviam em colônias espaciais e que cruzavam o espaço sideral a seu bel-prazer dentro de pequenos foguetes particulares.

Contudo estas previsões mostraram-se totalmente infundadas quando a corrida espacial descobriu que o espaço era profundamente hostil devido aos efeitos da radiação cósmica e da ausência de gravidade no organismo humano e às dificuldades técnicas envolvidas na construção de sistemas fechados que permitissem a manutenção da vida. Além disso, o financiamento da corrida espacial diminuiu dramaticamente após o homem – americano – por o pé na Lua.

Nada, porém, foi mais frustrante do que assistir impotente as mortes sucessivas de 22 astronautas e cosmonautas durante suas missões espaciais, principalmente nas etapas de lançamento dos foguetes e de sua reentrada na atmosfera terrestre:

  • Ônibus Espacial Challenger (EUA, 1986): 7 mortos. 
  • Ônibus Espacial Columbia (EUA, 2003): 7 mortos. 
  • Soyuz 11 (União Soviética, 1971): 3 mortos. 
  • Soyuz 1 (União Soviética, 1967): 1 morto. 
  • Avião Espacial X-15 (EUA, 1967): 1 morto. 
  • Virgin Galactic SpaceShipTwo (Privada/EUA, 2014): 1 morto
  • Cápsula Vostok / Treinamentos (União Soviética): 2 mortos

Foi assim que mal contive meu choque ao descobrir que os astronautas da Nasa, estes indivíduos cuja profissão extremamente perigosa poderá um dia viabilizar o plano da humanidade de colonizar novas fronteiras no universo, sofrem com os custos de um seguro de vida astronômico! Sem a intenção de me deter aí em um jogo de palavras...

Assim, para evitar terem de arcar com os custos exorbitantes de um seguro de vida que garantisse a manutenção do padrão de vida de suas famílias em caso de suas mortes, os astronautas das missões Apollo tiveram uma sacada genial. Antes do lançamento de seus foguetes, eles passaram dias autografando cartões postais com imagens da missão. Estes cartões foram deixados com a equipe da Nasa em terra, que os levou ao correio para selar e carimbar nos dias do lançamento e da aterrissagem da nave espacial, e entregues às famílias dos astronautas com a indicação de vende-los ao público no caso de a tripulação não retornar sã e salva.

Muitos destes cartões foram distribuídos como recordação entre familiares, amigos e associados. Porém alguns ainda podem ser eventualmente encontrados em leilões de relíquias das missões espaciais, sendo vendidos por valores que hoje variam entre US$20 mil e US$50mil. Estes cartões estão por aí para nos lembrar que todo plano grandioso da humanidade repousa no esforço sobre-humano de indivíduos que lutam sozinhos contra seus revezes para torná-los realidade.

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Tags: corrida espacialseguro de vidapreço de um sonhoespaço sideral

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