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Se você se preocupa em saber quais histórias são verdadeiras e quais são ficção, lembre-se de que a história muda conforme aquele que a conta, pois todas elas sempre carregam algo de verdadeiro e muito da fantasia do escritor. Afinal, neste mundo das redes sociais, mesmo quando pretendemos estar contando a verdade sobre nós, redigimos uma ficção.

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A Gafe de Picasso

Chega aqui bem pertinho, que eu vou te contar um segredo. Poucas vezes admiti publicamente o que vou te falar, pois, em todas as ocasiões em que o fiz, tive de suportar olhares de incredulidade e desprezo, enquanto ressoava em minha mente um grito mudo: ‘Ignorante!’. É verdade, eu realmente não entendo de arte, mas reconheço meus sentimentos mais básicos. E o que eles me dizem é que não gosto da arte de Picasso. Era isso, falei. Agora, se você me perdoar tamanha heresia e resolver me dedicar mais um minutinho de atenção, eu te explico o porquê.

 

Ilustração criada com Bing Image Creator

No que se refere à fase rosa e à fase azul da obra de Picasso, ainda vá lá. Mas quando analiso suas telas da fase cubista, sou assaltada por uma verdadeira avalanche de mulheres representadas com feições distorcidas e cores deprimentes, que mais lembram vítimas de uma guerra atômica do que o rosto de suas musas. Tudo o que vejo em sua obra é o fruto de um homem que odiava as mulheres, a eterna birra do garoto mal-amado por sua mãe. Foi por conta do meu ressentimento quanto ao seu comportamento misógino, que descobri com secreto prazer a história do encontro entre Picasso e Rosanjin, um conceituado artista e ceramista japonês.

Em 1954, Rosanjin decidiu visitar o mestre Picasso em seu ateliê de cerâmica em Vallauris, na França, levando consigo uma de suas obras como presente. Seguindo o costume japonês de embalar presentes com extremo capricho como demonstração das boas intenções daquele que presenteia e de sua consideração pela pessoa presenteada, Rosanjin colocou sua obra em uma caixa de madeira tradicional usada para proteger cerâmicas valiosas, feita por ele sob medida e decorada com apreço.

Picasso, ao receber o presente demonstrou pouquíssimo interesse pelo conteúdo, dedicando toda a sua atenção à caixa de madeira. Rosanjin não se conteve e reagiu de modo explosivo à demonstração de Picasso de sua ignorância da arte e das tradições japonesas gritando: ‘A caixa não, criança simplória! O que eu fiz está dentro da caixa!

Assim sendo, se você for um admirador da obra de Picasso - ou até mesmo exibir reproduções de suas telas na parede de sua sala de estar - me perdoe. Eu bem sei que a arte não tem por obrigação ser agradável aos olhos, nem possuir qualidades decorativas. Também sei que demonstrações de misoginia estão na moda, como demonstram com clareza as reportagens policiais. Não tenho por objetivo denegrir a imagem de Picasso, mas este “causo” é engraçado, não é mesmo?

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Tags: PicassoRosanjinMisoginiaembalagem

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