Uma viagem no tempo por correspondência
A escrita medíocre, a repetição incansável das minúcias do dia a dia de uma estudante, as peculiaridades na relação com uma empregada doméstica, as frustrações em uma relação com o sexo oposto...nada disso poderia explicar o prazer em receber minhas cartas. O que salta aos olhos é o amor transbordante, o tratamento carinhoso presente em toda a correspondência.
Onde foi parar esta criatura tão cheia de amor que escrevia aquelas cartas? É isso que chamam de amadurecimento, este ressecamento da alma que observo em mim? Hoje sou incapaz de manifestações de amor tão cândidas quanto as que encontro em cada uma daquelas cartas. Meu olhar sobre o mundo perdeu sua ingenuidade. Que pena!
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