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Se você se preocupa em saber quais histórias são verdadeiras e quais são ficção, lembre-se de que a história muda conforme aquele que a conta, pois todas elas sempre carregam algo de verdadeiro e muito da fantasia do escritor. Afinal, neste mundo das redes sociais, mesmo quando pretendemos estar contando a verdade sobre nós, redigimos uma ficção.

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O Mar não tem Inimigos

Vem comigo usufruir neste texto das lições de Kayá, na forma de uma analogia entre a força do mar e nossa capacidade de escolher as batalhas que mercem nossa atenção.

Kayá, a deusa dos mares, admira imperturbável um homem que lhe provoca lançando pedras (Imagem do chatGPT)

“Só Deus entende o algoritmo que rege a distribuição de posts nas redes sociais“ Isso foi o que pensei quando recebi pela primeira vez um post de @nkisimikaia, uma jovem que faz consultas com baralho cigano e fala de divindades do Candomblé. A mensagem dela vinha carregada de analogias e imagens tão lindas que jogou por terra todos os meus preconceitos. Desde então, venho seguindo outras pessoas que também falam das divindades do Candomblé e da Umbanda, estas duas religiões tão brasileiras, cujas mensagens tratam principalmente de conselhos sobre relações humanas e autoestima.

A primeira mensagem que recebi merece um pouco mais da sua atenção, me acredite. Nela, Sthéfanny, uma morena cor de jambo, toda vestida de branco e portando com garbo um turbante falava cheia de marra no quintal de sua casa, em meio aos cantos de pássaros e aos pios do galinheiro. A cena era simples e cativante, e imediatamente conquistou minha atenção. Eu, que sempre fui tímida e pedi licença para existir, caí fulminada pelo raio verde da inveja desta mulher cheia de audácia. Tão jovem e plena de sabedoria!

Ela falava de Kayá, a poderosa divindade feminina dos mares na tradição espiritual do Candomblé, que corresponde à Iemanjá na Umbanda. Citava o fato de que ninguém briga com o mar, pois o mar não reconhece inimigos a sua altura. Ninguém é suficientemente grande para provocá-lo. Não se pode desafiar o mar para um duelo, insultá-lo da praia ou atirar-lhe uma pedra – ele continuará fazendo seus movimentos de avanço e recuo das águas na beira da praia, as ondas continuarão quebrando na arrebentação, as marés perseguirão infáveis em seu ciclo lunar, indiferentes à insolência daquele que o ataca.

Sthéfanny dizia que a força verdadeira não precisa estar permanentemente em estado de combate. Quanto mais insegura é uma pessoa, mais facilmente ela interpreta pequenos gestos como ameaças e sente necessidade de responder. Mas quem verdadeiramente conhece a própria força pode escolher suas batalhas. Há pedras que exigem nossa reação, outras apenas deixam círculos concêntricos na superfície calma das águas antes de afundar. 

A sabedoria está em distinguir quais pedras nos ameaçam. Há momentos que permanecer calado significa permitir que avancem sobre nossas margens. É preciso então levantar-se, defender nosso território, impor limites, dizer “Não!”. Outras vezes a provocação não requer respostas, pois responder significaria conceder ao agressor uma importância que ele não possui. Podemos simplesmente engolir a pedra. Não por resignação, nem por medo, ou covardia. O mar simplesmente engole a pedra porque é maior do que ela. O mar não precisa provar que é mar.

Boa semana!

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Tags: KayáIemanjáCandombléa força do marquando vale a pena reagir

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